quinta-feira, 3 de maio de 2012

Os gastos públicos são, em muitos casos, questões de prioridade para as prefeituras. Cada município elege com o que pretende investir mais e que atividade pode ficar em segundo plano. No Rio Grande do Norte, mais precisamente na cidade de Guamaré, a situação não é diferente. Lá, somente este ano, a gestão municipal já investiu mais de R$ 7 milhões com carnaval e festa de 50 anos da cidade. Contudo, agora, decretou estado de emergência devido a seca que assola o interior do Estado.

A eleição das prioridades foi tomada pelo atual prefeito da cidade, Emilson de Borba Cunha (PTN). Só para os festejos de emancipação política do município, que vão até domingo, foram gastos mais de R$ 1,8 milhão. Não é para menos. A gestão municipal gosta de investir nesse tipo de ação e contratou, entre outras atrações, a dupla Zezé de Camargo e Luciano, que vão tocar uma noite na cidade em troca de um cachê de R$ 450 mil.

Claro que a dupla Zezé de Camargo e Luciano não foram os únicos a receber para tocar nos festejos. A Prefeitura também pagou R$ 290 mil por Fábio Júnior, R$ 215 mil pela banda Cheiro de Amor, R$ 157 mil por banda Garota Safada e ainda R$ 398 mil pelo “pacote” Parangolé, Jumento Desembestado e Reginaldo Rossi. Ou seja, só com esses grupos, o Poder Executivo municipal gastou R$ 1,5 milhão. E não foi só. O prefeito contratou ainda o Forró da Pegada, por R$ 55 mil; a banda Feras, por R$ 35 mil; o grupo Amigos Sertanejos, por R$ 53 mil. Além da aquisição de fogos para show pirotécnico pela quantia de R$ 176 mil.

O curioso dessa situação é que algumas contratações – sem licitação – de bandas para a festa de Guamaré foram publicadas no Diário Oficial do Município no dia 27 de abril, o mesmo dia em que saiu a publicação da situação de emergência, devido à seca no município. Com esse decreto, a Prefeitura se integra a outros 138 municípios que vão dividir os R$ 26 milhões liberados pelo Ministério da Integração Nacional para o Governo do Rio Grande do Norte aplicar em ações de combate à seca. A verba foi incluída dentro do programa “Água para Todos” e será gasta com obras de infraestrutura hídrica.

Outro aspecto que pode ser ressaltado nessa situação é que, se tivesse interesse em investir o valor gasto em festa nas ações contra a seca, a Prefeitura de Guamaré poderia, por exemplo, ter instalado mil cisternas de placas. Elas acumulam 16 mil litros de água e, segundo o Ministério da Integração Nacional (MIN), custa em média R$ 2 mil. São uma das principais formas de combate a seca e a falta de água que, segundo moradores de Guamaré, realmente, são bem comuns na cidade.

CARNAVAL
Esse valor investido em obras contra a seca poderia ser ainda maior se a Prefeitura não tivesse usado outros milhões no carnaval da cidade – que ocorreu cerca de 70 dias antes do aniversário da cidade. Nos seis dias de folia carnavalesca, só com bandas e sem licitação, foram gastos R$ 2,9 milhões.

Vale ressaltar que apesar de ter gasto valores altos na contratação de atrações de destaque, como Ricardo Chaves (R$ 270 mil); Tatau, ex-Araketo (R$ 265 mil); Forró Pegado (R$ 160 mil); banda Grafith (R$ 110 mil); Saia Rodada (R$ 144 mil); Aviões do Forró (R$ 300 mil); e Chicabana (R$ 262 mil); a Prefeitura pagou valores igualmente altos a bandas de bem menor reconhecimento. Bonde do Maluco, por R$ 129 mil; Fantasmão, por R$ 129 mil; Leva Nós, por R$ 230 mil; e Banda Voa Dois, por R$ 190 mil, são exemplos disso.

Tudo bem que durante o carnaval, segundo a Prefeitura, a cidade recebeu mais de 60 mil pessoas por dia, movimentando a economia local. Porém, além do que foi gasto com bandas, Guamaré pagou também mais R$ 2,4 milhões só com a contratação de empresas especializadas na organização do evento.

Com o aluguel de trios elétricos, foram mais R$ 365 mil, e houve ainda o pagamento de R$ 841 mil para a organização e decoração dos dias de festa. Não aparece na lista de gastos, mas a Prefeitura disponibilizou também para os foliões carros-pipa para refrescá-los durante a festa, apesar de naquele momento a cidade ainda não estar em emergência pela seca.

Fonte Portal JH

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